segunda-feira, 27 de abril de 2015

Eu sou de lugar nenhum

Eu sou só aquele velho-jovem pássaro em sua gaiola, vendo a vida passar, observando o mundo entre minhas grades. Eu fui pega mas não sou de ninguém, eu tenho casa mas não gosto de ter que retornar no final do dia para ela. Eu também não canto. Dificilmente ouvem a minha voz ou minha risada.
Estou aqui observando as estações, as minhas asas crescendo e a minha vontade de voar sumindo.
Eu me sinto absurdamente só, desesperada em meio a rejeição, e, eu não sei onde me encaixar.
Estou triste, triste, triste...e é uma dor tão angustiante que tenho a sensação de que a qualquer momento explodirei de desgosto.
Resolvi jogar os planos pra fora, resolvi que não precisaria gostar do que faço, mas fazer o que preciso fazer.
Eu não quero abrir mais os olhos, é doloroso desfazer-me de esperanças e me encher novamente, e me esvaziar, e me encher, e... ahhh...estou tão desanimada.
Alguma coisa irá mudar?
Minhas orações parecem subir, mas ainda assim...só o silêncio me responde.
É triste, triste, tão triste não saber como viver.
Perecer no vazio, na angustia, na gaiola.



quarta-feira, 1 de abril de 2015

Antes só do que ser a má companhia de alguém.

Eu estive pensando em mim, nas minhas fraquezas, fragilidades e inúmeras questões sem soluções. Cheguei a conclusão de que eu não posso fazer ninguém feliz, porque eu nunca estou feliz. Sou uma pessoa difícil, ao mesmo tempo que padronizada. Se eu souber fazer bem para uma pessoa, então farei, e enquanto eu puder fazer me sentirei útil, e a utilidade é a única maneira que eu conheço de ser aceita. Por outro lado, é realmente complicado quando passo a ter sentimentos, porque da mesma forma que cuido, eu quero ser cuidada, porém, ninguém pode adivinhar minhas necessidades, eu sou tão reservada, mesmo os mais íntimos não sabem dizer qual seria o meu autor favorito, menos ainda que música eu mais ouço. Afinal, eu sempre compro meus livros, e só ouço música nos fones ou quando estou sozinha.
Como eu posso pedir que alguém cuide de mim se não estou disposta a me abrir ? Isso é insanidade. E me irritar porque tal pessoa não consegue enxergar que o que eu quero é muito simples, tão simples que me envergonho até de pedir. Não é um futuro, só uma demonstração de preocupação. Só que não sou transparente assim, então exigir isso é tão egoísta.
As vezes brigo até com Deus, porque é o meu único amigo, e quando ele se cala eu perco o caminho, eu me desespero e faço besteiras. Eu o culpo por elas, mas a verdade é que no meio de toda essa turbulência, eu só estava buscando acertar. Eu tenho um grande talento para fazer tudo da pior forma, do jeito errado. Eu estou sempre humilhando a mim mesma.
Meu jeito de viver é colocando os que amo antes de mim, então penso que sem mim, eles estariam melhor. Sua companhia silenciosa no cuidado e escandalosa no cobrar. Ninguém precisa dessa infantilidade.
Penso que seria melhor viver sozinha, mas viver só nesse mundo que só funciona em sociedade não parece possível. Então talvez viver não seja a resposta.
Eu estava com medo de estar doente, mas agora vejo um jeito de resolver o meu problema. Também sei que ainda não é a hora, mas ... eu me sinto tão idiota. Eu não quero machucar aqueles que amo, e não sei como mudar. Também tenho minhas necessidades mas não sei como expô-las.
Não consigo entender porque para mim é tão difícil dizer "venha me ver, sinto sua falta",  ou "não quero ir ao médico, já estou melhor" ou pior ainda "Me desculpe. Fui insensível. Estive errada esse tempo todo".
Aaaah... eu não quero mais viver.