sábado, 23 de novembro de 2013

Ótima Criança

Arrastando seu ursinho, sem olhar para onde vai ou o que deixou para trás, 
apenas em frente, sem esperanças, sem lágrimas e sem brincadeiras,
esperando ser boa, como uma criança deve ser. 
Sozinha e triste, seu sorriso de infância foi deixado em algum trecho do 
caminho por onde passou, sem vida, sem energia, sem ser, apenas foi.
Triste consigo mesma, triste com o mundo, tentando ser perfeita e 
perdida entre os contrastes do certo e o errado.
Não tem exemplos, não tem heróis, abriu mão dos sonhos e jogou suas 
asas em um abismo onde não pudesse mais recuperá-las. Tem tanto 
medo de sair da linha, que não ousa olhar para as próprias necessidades,
cansou de lamentar, cansou de chorar, cansou de pedir, tornou-se 
responsável, tornou-se séria, amarga, cresceu.
Hoje olhando para os próprios pés e tentando se lembrar da última vez
que viu seu amigo urso, parceiro de jornada, apenas pensa em como
conseguiu ir tão longe, tendo como impulso apenas a sua dor. 
Ela ainda quer sorrir, quer brincar e voar, mas não pode, é errado, foi 
o que seus pais disseram. "Faça o que é certo, faça o que deve ser 
feito. Você tem suas próprias obrigações, não perca tempo com coisas 
inúteis", e ela não perdeu. 
"Você é uma ótima criança!"
- Não quero ser ótima, Mamãe Vida. Quero ser livre! 



sábado, 9 de novembro de 2013

Stop crying your heart out



Odeio a forma como tenho vivido, odeio o modo que lidou com a vida, odeio as pessoas a minha volta, me odeio por deixa-las fazerem o que bem entendem comigo. Satisfazendo a vontade de todo mundo e ninguém está satisfeito, sacrificando meu coração e me frustrando, jogando minha alma e a usando como pano de chão, limpando as insatisfações, carregando o fardo alheio, parecendo ser legal, porque de outra forma eu não consigo conviver com ninguém.

Seria tão fácil se eu não precisasse amar ninguém, seria tão bom levantar com um propósito meu e não pelos outros, fingir sorrisos, fingir estar bem, fingir que gosto, fingir viver, fingir ter paciência, fingir não me importar, fingir se importar. Vivo seguindo caminhos que não escolhi, estou insatisfeita, estou segurando firme em uma convicção que sequer sei se é de verdade, se é válida, se serve pra mim.

Apenas tenho sido carregada pela maré, apenas deixei de lutar, porque ninguém me ensinou a lutar por mim mesma, porque todos nesse mundo tem valor menos eu. Qualquer idiota inútil, qualquer mal educado estúpido, qualquer ignorante com diploma, qualquer pessoa que saiba alterar a voz, qualquer um merece mais do que eu. Não sei o que estou fazendo em um lugar onde não há espaço pra mim.



E eu não amo ninguém, e eu não quero ninguém, não vou a lugar algum, não pretendo acordar amanhã, não pretendo fazer mais nada. Eu cansei de brincar de ser herói. Eu não posso salvar ninguém e sei que ninguém vai me salvar. Se Deus não esqueceu de mim, sei que pouco falta, seres vazios, seres inúteis, meras sombras, somente eu, e tenho o direito de dizer eu ? Nem mesmo sou, apenas não existo.